2
de
julho

Uma parte de mim é todo mundo:
outra parte é ninguém: fundo sem fundo.
Uma parte de mim é multidão:
outra parte estranheza e solidão.
Uma parte de mim pesa, pondera:
outra parte delira.
Uma parte de mim almoça e janta:
outra parte se espanta.
Uma parte de mim é permanente:
outra parte se sabe de repente.
Uma parte de mim é só vertigem:
outra parte, linguagem.
Traduzir uma parte na outra parte
- que é uma questão de vida ou morte -
será arte?
[Ferreira Gullar]
2
de
julho
"Lida
"Não adianta, não há lógica na vida.
Temos de vivê-la, nada mais."*
Poderia olhar, apontar e disparar impunemente,
fingir que não tenho culpas. Mas o que poderia
melhorar a partir daí?
Independente do tamanho da culpa, existem fatos
que pedem mudanças, pedem atos, atitudes
contrárias às praticadas. Basta olhar mais friamente
ao redor… sonhos são essenciais, mas apenas eles
não alimentam, pelo menos não os corpos.
E o que fazer quando se desperta para a vida,
até então tão sonhada, e constata-se que está
tão longe do mundo real? E que todas as respostas
estão tão perto e profundamente entranhadas no
próprio ser, íntimo e essência. Como reprogramar
uma vida?
As repostas não vêm de imediato…
Não se houve, claramente, vozes do além…
O telefone não toca…
Não chegam mensagem…
Todos parecem tão distantes.
Resta-me.
Frente ao espelho.
A sós com a própria consciência/inconsciência…
(silêncio, gritos, súplicas)
Resta-me
Rememorando a própria jornada.
E os acertos não são suficientes para amenizar a negligência
(a ser superada)
Leis de papel
Viagens espaciais
Cem mil militares
Cem mil mortes por fome
Juramentos esquecidos
E a culpa… (é do outro)
Tomates apodrecidos
Vacinas vencidas
Saio de um mundo de faz de conta
Piso em outro.
A diferença: este é real.
Sem respostas, sigo, reunindo forças, reprogramando-me…"

Manual… fonte de um inspirar e expirar…
convite ao alto conhecimento
a conhecer um cantar de dentro…
visitem: partesdesign.com.br/ms/
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