MusicArtePoética

“Abra seus poros e papilas e pupilas à luz da manhã…”

31

de

julho

Homem.

"O homem é esse ser que inventou as câmaras de gás de Auschwitz; Entretanto, ele também é aquele ser que entrou nessas câmaras de gás de pé, com a oração do senhor nos lábios."

30

de

julho

musica

Daqui do lado de dentro
O meu olhar pra fora procurando calçadas
Ruas não andadas de mãos dadas 
Daqui de dentro faz calor
Meu corpo frio já não sente o que passou 
Esse suor me lembra que tudo se parece com alguma canção
O vento
O correr do tempo
O pêndulo
Meus pés no chão
Olhe pra mim e veja todas essas marcas que você gravou
Olhe pra dentro de mim e veja que não brinquei de amor
Guardei sonhos
E o que vejo é uma lâmapada acesa
Um livro jogado
Uma cara mal dormida
e tanto pensar…
objetos pendurados me lembram teu corpo deitado ali
e meu rostou que só sabia te olhar e sorrir
Não encontra solução 
Daqui de dentro
O meu olhar lá fora
O medo de alguém tirar o que tanto protegi
O vento…
O correr do tempo
O pêndulo
Meus pés no chão
A solução…
[L.M]

29

de

julho

Espera

DE UM NÃO SEI O QUÊ
DE UM NÃO SEI ONDE
É UM SENTIR QUE INVADE
E TOMA CONTA DESSE SER
DESSE INSTINTO
AMANHEÇO DO LADO
CORDAS
NOTAS
SUSURROS MEUS
ESCUTE TUDO QUE SINTO
SINTA TUDO QUE PENSO
SINTA CADA GRAU
E CADA ARREPIO
CADA TRANSPIRAR
CADA MOVIMENTAR
CADA ESPALHAR
A PENUMBRA ÀS 17H NÃO ME ASSUSTA MAIS
SÓ DEIXA UM GOSTO DE MÚSICA LENTA
QUE PENETRA E FUNDE-SE A TUDO QUE SINTO
ENTÃO NÃO SE CONFUNDA
ESSE É MEU JEITO MESMO

Estou vagando, dando umas voltas, sem direção [...]
Cruzo as ruas sem medos
Todo mundo deixa o caminho livre[...]
Enquanto meus olhos
Saem procurando discos voadores pelos céus
Domingo, segunda, o outono, passam por mim
E as pessoas passam apressadas com tanta paz
[...]
É bom pelo menos estar vivo e eu concordo …
E é tão bom viver em paz e …
Domingo, segunda, os anos, e eu concordo …
Enquanto meus olhos
Saem procurando discos voadores pelos céus
Não escolho nenhum rosto para olhar … não escolho caminho
Acontece apenas de eu estar aqui e estar tudo bem
Grama verde, olhos azuis, céu cinza
Deus abençoe a dor silenciosa e a felicidade
Eu vim para dizer sim e digo

[Trechos traduzidos: London London]

28

de

julho

Amanhecer em julho

As ruas por onde passo trazem a fumaça
# Apaguei a luz do meu quarto#
A fumaça que perfura o céu
A mesma fumaça que vai te deixar com sede
Talvez tudo se pareça mesmo com o que sinto
# Apaguei a luz do meu rastro#
Talvez esse sentido todo nem tenha tanto sentido
Talvez nem seja mesmo algo assim tão grande
Não é um segredo guardado a sete chaves
Seria mais simples viver se a gente de fato vivesse.
Se gastássemos todos esses anos que temos em algo que de fato nos elevaria ao "céu"… mesmo que perfurado…ou pela fumaça que sai da chaminé da padaria, ou pelo nosso mirabolante pensar.
# Vivendo de coisas esquecidas e lembradas.
# Não pude ver meu futuro nos seus olhos escuro.
[LAIZ MARA || Trechos de "amanhecer em julho" de Ana Carolina e Flávio Venturini]

25

de

julho

Somewhere only we know…

"I came across a fallen tree
I felt the branches of it looking at me
Is this the place, we used to love
Is this the place that I’ve been dreaming of
So If you have a minute why don’t we go
Talking about that somewhere only we know?
This could be the end of everything
So why don’t we go
Somewhere only we know?" [Keane]
_________________________________

Esses dias… todos eles ao redor de mim
Envoltos por um estranho sentir
Ela estava ao lado
Ela repetia todos os gestos
Eram todos eles assim
Ela de repente iniciou um momento por si
e espantou-se com a reciproca.
O tempo passa
Os dias
As horas
E aquele rosto se faz presente em ruidos de pensamento
O rosto do espanto
O rosto do sorriso
"I hold you in cupped hands
And shield you from a storm"
mas mesmo assim o rosto foi de espanto
[L.M.]

23

de

julho

O QUE É AMOR?

Amor é quando alguém te magoa, e você, mesmo muito magoado,
Não grita, porque sabe que isso fere seus sentimentos"
Mathew, 6 anos

"quando minha avó pegou artrite, ela não podia se debruçar para
Pintar as unhas dos dedos do pé. Meu avô, desde então, pinta as
Unha para ela. Mesmo quando ele tem artrite"
Rebecca, 8 anos

"amor é quando uma menina coloca perfume e o menino coloca loção
Pós-barba, e eles saem juntos e se cheiram"
Karl, 5 anos

"eu sei que minha irmã mais velha me ama, porque ela me dá
todas as suas roupas velhas e tem que sair para comprar outras"
Lauren, 4 anos

"amor é como uma velhinha e um velhinho que ainda são muito amigos,
Mesmo conhecendo há muito tempo"
Tommy, 6 anos

"quando alguém te ama, a forma de falar seu nome é diferente"
Billy, 4 anos

"amor é quando você sai para comer e oferece suas batatinhas fritas, sem esperar que a outra pessoa te ofereca as batatinhas dela"
Chrissy, 6 anos

"amor é o que está com a gente no natal, quando você
Pára de abrir os presentes e o escuta"
Bobby, 5 anos

"se você quer aprender a amar melhor,
Você deve começar com um amigo que você não gosta"
Nikka 6 anos

"quando você fala para alguém algo ruim sobre você mesmo
E sente medo que essa pessoa não venha a te amar por causa disso,
Aí você se surpreende, já que não só continuam te amando,
Como agora te amam mais ainda"
Samantha, 7 anos

"há dois tipos de amor, o nosso amor e o amor de deus,
Mas o amor de deus junta os dois"
Jenny, 4 anos

"amor é quando mamãe vê o papai suado e mal cheiroso
E ainda fala que ele é mais bonito que o robert redford"
Chris, 8 anos

"durante minha apresentacão de piano, eu vi meu pai na
Platéia me acenando e sorrindo. Era a única pessoa
Fazendo isso e eu não sentia medo"
Cindy, 8 anos

"amor é quando você fala para um garoto que linda
Camisa ele está vestindo e ele a veste todo dia "
Noelle, 7 anos

"não deveríamos dizer eu te amo a não ser quando realmente
o sintamos. E se sentimos, então deveríamos expressá-lo
muitas vezes. As pessoas esquecem de dizê-lo"
Jessica, 8 anos

"amor é se abraçar, amor é se beijar, amor é dizer não"
Patty, 8 anos

"amor é quando seu cachorro lambe sua cara,
Mesmo depois que você deixa ele sozinho o dia inteiro"
Mary ann, 4 anos

"quando você ama alguém, seus olhos sobem e descem e
Pequenas estrelas saem de você"
Karen, 7 anos

"deus poderia ter dito palavras mágicas para que os
Pregos caíssem do crucifixo, mas ele não disse isso. Isso é amor"
Max, 5 anos

23

de

julho

eu

Um eu cheio de contradições e complexidades.
Submerso em pensamentos.
Me confundo, e por direito.
Troco as pernas por não ter olhos por todos os lados pra enxergar essa tal de verdade.
Me fundo e também confundo e uno.
Suporto, importo…
Suporto tanto… absorvo tanto
As vezes nem sei como
Sinto tanto… sinto muito e as vezes nada sinto.
Detesto freios… amarras … mordaças.
Esses sons são todos confusos…mas não deixo que eles se façam mais altos que pensar.
Num daqueles momentos em que a alma grita e o suor sai pelo olhar vi meu corpo sentado… a luz fazendo sombra e minhas mãos descrevendo fatos. Essa metade eu não sei por onde anda. Vi modificações na minha letra, as cores e as coisas passaram por mim por tanto tempo e tão rápido. Não enxerguei as marcas que essa tinta deixou em vermelho destaque, em sinais, em gestos e tapas.
"Mesmo sem me libertar eu vou… vou ver o jogo se realizar de um lugar seguro".
[Laiz Mara]
.
.
.
"Eu não sei o que meu corpo abriga nessas noites quentes de verão"

17

de

julho

só pra constar

"Te olho nos olhos e você reclama
Que te olho muito profundamente.
Desculpa,
Tudo que vivi foi profundamente…
Eu te ensinei quem sou…
E você foi me tirando…
Os espaços entre os abraços,
Guarda-me apenas uma fresta.
Eu que sempre fui livre,
Não importava o que os outros dissessem.
Até onde posso ir para te resgatar?
Reclama de mim, como se houvesse a possibilidade…
De me inventar de novo.
Desculpa…se te olho profundamente,
Rente à pele…
A ponto de ver seus ancestrais…
Nos seus traços.
A ponto de ver a estrada…
Muito antes dos seus passos.
Eu não vou separar as minhas vitórias
Dos meus fracassos!
Eu não vou renunciar a mim;
Nenhuma parte, nenhum pedaço do meu ser
Vibrante, errante, sujo, livre, quente.
Eu quero estar viva e permanecer
Te olhando profundamente."

Mas de uma outro verso-lado-oposto.
Pondo um fim na canção que construí em meses
Faço questão de esquecer
E deixar meu peito novamente liberto pra um novo sentir.
Laiz Mara

16

de

julho

TORQUATO NETO

Nunca escorreu pelo meu corpo a aurora, nunca sentí na minha boca o transpassar de noites, nunca dormi ao lado de estrelas - que isto são coisas absolutamente sem importância, que, de resto, outros sonhadores já tiveram o cuidado de sonhar.
Eu em mim incrivelmente existo e me basto. O temer e o esperar passaram por completo. E a vontade de ver o invisível e tocar o intocável e calcular o necessáriamente incalculável também passaram e não prossigo nisto. Sou exatamente o que me basto para continuar sendo.
E nisto me basto.
Quando não pude alcançar o lado oposto e me perdí e não voltei atrás, eu prosseguí pelo caminho e não parei. Quando na volta preferí viver só eu me bastei com meus distensos músculos eu não cortei demais a minha carne em pedaços inúteis. Minha incerteza quando dói a afasto e não me engano em pensar o que não posso e nem me abandono a construir filosofias que a enxarquem. Se não componho as sinfonias que escuto, ninguém o sabe: eu não sou músico. Quando não sei se devo ou se não devo prosseguir em escrever poemas e asneiras, eu nada faço e me recolho: o poeta que não sou pode nascer ainda.
Como o dedo apagaria o sol congelaria a aurora no meu corpo e afastaria estrêlas - mas não quero, outros sonhadores já sonharam isso. Como disse, sou exatamente o que me basto para prosseguir e não quero mais.

A Virtude
a) A virtude é a mãe do vício
conforme se sabe;
acabe logo comigo
ou se acabe.
b) A virtude e o próprio vício
- conforme se sabe -
estão no fim, no início
da chave.
c) Chuvas da virtude, o vício,
conforme se sabe;
é nela própriamente que eu me ligo,
nem disco nem filme:
nada, amizade. Chuvas de virtude:
chaves.
d) (amar-te/ a morte/ morrer:
há urubús no telhado e carne seca
é servida: um escorpião encravado
na sua própria ferida, não escapa: só escapo
pela porta de saída).
e) A virtude, a mãe do vício
como eu tenho vinte dedos,
ainda, e ainda é cedo:
você olha nos meus olhos
mas não vê nada, se lembra?
f) A virtude
mais o vício: início da
MINHA
transa, início, fácil, termino:
"como dois mais dois são cinco"
como Deus é precipício,
durma,
e nem com Deus no hospício
(durma) nem o hospício
é refúgio. Fuja.

Estão guardados em mim o olhar e o falar. Mas não saem trancados em sete portas e não saem, não tem chaves necessárias ou a equivalentes ousadia. Submeto-me às restrições dessas certezas e pronto: eu, como não o desejaria nunca a minha mãe. Mas eu, como o quero e sou por isso o eu diferente e inaceitável escondido nas entranhas de mim mesmo acorrentado a esse meu vazio e sem poder sair. Assim me entendo e aceito e quero. Fosse dado a cavernosas reflexões em torno de cavernosissímos problemas insolúveis e seria assim. Fosse o tal que nunca leu sequer gibi mas cita Sócrates e Dante e seria assim sem mais nem menos. Ora! Isto sou eu com a soma de meus complexos e aflições; Um eu que não sei onde acaba, onde começa - mas que existe vertical pelas calçadas e horizontal na cama. Eu retorcido ou não, sei lá eu.
O pensar é o que aparece em mim e não some. Tenho cócegas na língua e coço o pé.( Afinal, isto sou eu, cheio de contrastes, assim mesmo).
O pensar em mim depende do assunto e se não há assuntos os fabrico quebrando copos ou cuspindo na indumetária do garçom. E ai…
O importante é o funcionamento da máquina pensante. Essas questõe de adulterio, homicídios, lenocínio, homossexualismo, seja o que for, me comovem à falta de outro assunto. Tenho que pensar, tenho que continuar pensando e ir guardando tudo, para esconder em mim o olhar e o falar e mais: a morte.

11

de

julho

compor…

“Em um mundo diferente do meu, o que sempre tenho procurado é bem situar-me nesse mundo, é, em outras palavras, compreendê-lo naquilo mesmo que faz sua diferença, é aceitá-lo, é respeitá-lo, é querer amá-lo, e tudo isso sem que precisasse diluir-me ou afogar-me nele”.
[Sérgio Buarque de Holanda]
__________________________________________________________
__________________________________________________________

Sem dor
Sem pena
Sem laço
Lenço
Sem condenação
Por amor próprio
Por sentir que tudo se foi
Por brisa
Inverno
Cinza
As coisas se movem e me convenço
Eu convenço
Esqueço esse senso
O padrão
A linha reta
A órbita
Vivo … vivo
[Laiz Mara]
………………………………………………………………………………………….
"Tem que acontecer.
Tem que ser assim.
Nada permanece inalterado até o fim.
Se ninguém tem culpa não se tem condenação [...]
Se um vai perder, outro vai ganhar[...]
Eu, daria tudo pra não ver você cansada, pra não ver você chateada, mas não posso fazer nada, não sou Deus nem sou senhor.
Eu, daria tudo pra não ver você chumbada, cara de desesperada a mulher abandonada, mas não posso fazer nada sou só um compositor popular…"
[Zeca Baleiro]

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